Adega Portela

Somos Flávia e Samara Portela, mãe e filha, brasileiras com nacionalidade portuguesa – ora pois. Nossa família é da região do Douro, de onde saem vinhos encorpados, de personalidade e é a única região onde se pode fabricar o famoso Vinho do Porto. Esse espaço é para falar de vinhos – suas lendas, seus paladares, sua história, sua degustação. Portanto, vamos começar contando um pouco dessa história, antes de entrar nos vinhos propriamente ditos.
No século 17, os britânicos começaram a importar grandes quantidades de vinho português. Para que a bebida resistisse às longas viagens marítimas, os comerciantes ingleses acrescentavam aguardente (vínica) nos barris. Os marinheiros logo perceberam que, além de conservar o vinho por mais tempo, a adição de álcool também realçava o sabor da bebida e aumentava o seu poder de embriaguez, tornando-a mais licorosa! Acabaram criando, sem querer, a fórmula do vinho do Porto.

 

O Douro, em Portugal, foi a primeira região demarcada do mundo, pelo primeiro-ministro de Portugal, o Marquês de Pombal, em 1756. Esta região vai ao longo do Rio Douro e seus afluentes, desde Barqueiros (Mesão Frio*) até Barca D’Alva, numa área de 250.000 ha.

* por coincidência ou não, Mesão Frio é a cidade de nossa família.

No século XIX, o escocês Barão de Forrester foi o primeiro a desenhar os mapas desta região do vinho do Porto, estudando a sua viticultura exaustivamente, inclusive com registro de fotografias. Diz a lenda que em 1861, conduzia o seu barco rabelo* pelo Cachão da Valeira e este virou! Forrester foi arrastado para o fundo do rio por causa do peso das moedas que levava consigo. O seu corpo nunca foi encontrado. Nessa derradeira viagem, estava com sua amante, a “Ferreirinha”, que segundo reza a história, não se afogou porque as saias de balão que então vestia, a fizeram flutuar até à margem do Rio Douro.

Rabelo

* O barco rabelo é uma embarcação portuguesa, típica do Rio Douro que tradicionalmente transportava as pipas de Vinho do Porto do Alto Douro