Na estrada com vinhos de Portugal – Segredos de Algarve

Fiz uma viagem de carro por dez dias recorrendo várias zonas de Portugal. E para cada uma, há pelo menos um vinho que ilustra minha experiência naquela região; vou relatar um pouco mais nessa série de posts que marcam a retomada do blog. Para ler a primeira parte sobre a aldeia de Odeceixe na Costa Vicentina, clique aqui e a segunda parte sobre a Praia de Carvoeiro, aqui.

Parte 3 – Dias em Algarve: as praias paradisíacas do sul de Portugal

Depois de acordar e tomar café da manhã contemplando a vista do quarto com as gaivotas voando na praia de Carvoeiro, subimos no carro e fomos pela estrada em direção a Portimão rumo ao Restaurante Caniço. “Mas já saíram para almoçar?”, se questionará a leitora atenta; pois bem, sou dessas que planeja o dia inteiro em função de onde comer/beber, e este se tratava de um dos segredos melhores guardados do Algarve (se é que isso é possível) e valia uma tarde inteira de passeio. Explico: se trata de um restaurante “escondido” dentro de um condomínio residencial na Prainha de Três irmãos, em Alvor.

A vista do mirante em Alvor

Fiz a reserva com algumas semanas de antecedência pelo site deles e também avisei que era meu aniversário. A escolha foi bastante acertada pois a tal da Prainha estava vazia e é possível caminhar por dentro de uma falésia que dava para outra extensão de areia com águas igualmente cristalinas, paisagens de cair o queixo e poucas pessoas em volta. Aliás, quando em Algarve, sempre caminhe pelas pedras buscando passagens secretas pois as chances de haver praias desertas a poucos passos são grandes.

Nada mal uma praia dessas para esperar a hora do almoço!

Curtimos o mar (embora ainda bem frio no final de junho) e o sol, e quando bateu a fome seguimos para nossa mesa, que eu já havia reservado há algumas semanas, onde me esperavam com um buquê de flores pois avisei que era meu aniversário. Um gesto simples, mas que faz o cliente se sentir especial – eu que trabalho em serviço me alegro quando vejo estabelecimentos atentos a esse tipo de delicadeza.

Para os aperitivos, começamos com sopa de peixe e ostras, que eu não consigo resistir (também queria percebes mas infelizmente não tinham naquele dia).

Ostras deliciosas

E indo ao que interessa, optei por um vinho do Alentejo, o Herdade dos Grous 2018, blend de Antão Vaz (a branca mais emblemática alentejana), Arinto e Gouveio, que era exatamente o que eu buscava: notas de frutas tropicais como mamão e abacaxi, voluminoso, algo untuoso, e elegante em seu final fresco e persistente. Perfeito para a pesca que viria a seguir.

Branco do Alentejo: Herdade do Grous 2018

O garçom levou à mesa esta bandeja com os produtos frescos do dia e comentou um pouco sobre cada um – foi bem interessante conhecer mais sobre a variedade de pesca local, e afinal optamos pelo cantaril, que tem escama avermelhada e nada bem colado às pedras e encostas, se alimentando de pequenos mariscos.

O único problema é ter que escolher um só!
Cantaril com legumes ao vapor

E o Caniço também tem seu próprio vinho, outro branco alentejano que oferecem em taça. Foi perfeito para finalizar o almoço com seu perfil mais estruturado, frutas de caroço maduras e mantecoso.

O vinho do Caniço, outro branco do Alentejo

Para finalizar, entre uma vasta opção de sobremesas, optamos pela clássica queijo de cabra e doce, bem leve, para continuar desfrutando das praias que haviam no caminho de volta até Carvoeiro.

Há um mirante ali pertinho com essa vista impactante das falésias do Algarve

Depois dessa vista panorâmica, paramos em algumas praias que íamos decidindo na estrada mesmo, pelas placas no caminho e pelo Google Maps. Recomendo a Praia do Carvalho e Praia da Marinha, que estavam praticamente desertas e, como tudo no Algarve, lindas de morrer.

No dia seguinte fizemos o passeio de kayak que sai de Lagos e passa por meio das falésias e cavernas, foi um modo diferente de apreciar ainda mais toda a exuberância da região. Antes aproveitamos para conhecer as famosas (e portanto mais cheias) Praia do Camilo e Praia de Dona Ana. Uma dica: faça o passeio de kayak na primeira hora da manhã, pois fiz de tarde e já havia mais movimento de barcos gerando mais ondas (exigindo mais esforço físico) e também acho que as águas já não estavam tãaao cristalinas.

Vista da praia do Camilo onde se pode observar o percurso do passeio de kayak

E enfim, embora muito díficil, após 4 dias nos despediríamos desse lugar mágico, diferente de qualquer outro destino de praia que já fui na vida, e seguiríamos em direção ao Norte de Portugal, com uma parada no meio do caminho que foi muito especial – em breve post!

Praia de Dona Ana e os kayaks ao fundo

Como é difícil ir embora do Algarve!

Na estrada com vinhos de Portugal – Costa Vicentina

Fiz uma viagem de carro por dez dias recorrendo várias zonas de Portugal. E para cada uma, há pelo menos um vinho que ilustra minha experiência naquela região; vou relatar um pouco mais nessa série de posts que marcam a retomada do blog.

Parte 1 – O caminho de Lisboa a Algarve pelo Parque Nacional do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, que vai desde Setúbal até as praias do sul de Portugal.

Alugamos um carro em Lisboa e em seguida fizemos uma parada estratégica em Comporta, uma simpática praia com brisa, grande extensão de areia e água azul ao lado de Setúbal. Infelizmente não tive tempo de conhecer a cidade, que dizem ser uma graça.

A bela praia de Comporta

No caminho ao sul, uma única e incansável vista: dezenas e mais dezenas de sobreiros descortiçados, que não deixam dúvidas de que estamos entrando no mágico Alentejo.

Deixamos para decidir na estrada o lugar em que pernoitaríamos. Ao passar por uma linda colina rodeada de casinhas brancas, decidimos parar em Odeceixe, uma pequena vila com 900 habitantes, onde um rio que desagua no Atlântico marca a fronteira entre o Alentejo e o Algarve.

Odeceixe pedia simplicidade; essa era a vista do hotel que encontramos logo à entrada da aldeia.
Detalhes arquitetônicos
Uma vila onde o tempo se move lentamente

Havia apenas um desejo ao jantar: vinho local e frutos do mar, é claro. Foi aí que conheci a Vicentino – Vinhas da Costa Atlântica, da Frupor, cujo propietário é o noruguês Ole Martin Siem, com uvas que provém de Zambujeira do Mar e seu clima moderado pelos ventos do oceano e solos franco-arenosos e argilo-xistosos.

Vicentino

Elegi o Blend Branco 2017, composto por Semillón, Arinto e Alvarinho, cítrico e delicado, com um final refrescante e quase salino que adoro. Para acompanhar, uma boa porção de amêijoas e depois uma de sardinhas também.

Impossível resistir a uma porção de sardinhas

Às 23h o restaurante estava fechando, então caminhamos um pouco pela aldeia para tomar algum digestivo e comer uma sobremesa. Foi na pizzaria da praça que pedimos uma deliciosa torta algarvia, de laranja e amêndoas, com vinho do Porto e Moscatel de Setúbal da casa (e é claro que foi o último que harmonizou adequadamente).

Ao amanhecer, uma parada essencial antes de descer rumo ao sul do Algarve: o encontro da ribeira de Odeceixe com o Oceano Atlântico, vista inesquecível para coroar essa parada tão aconchegante na Costa Vicentina.

À direita, o rio Odeceixe.
E à esquerda, as falésias emoldurando a praia banhada pelo Oceano Atlântico.

Assim, felizes e com a paz de ver o mar após descansar na pequena aldeia de Odeceixe, fomos descendo rumo à Carvoeiro – mais no próximo post.