3 vinhos brancos argentinos

Não é nenhuma novidade que nos últimos anos há uma tendência geral em exaltar a acidez dos vinhos – a grosso modo, é o que dá aquela sensação refrescante, faz salivar, limpa, gera frescor, enquanto os taninos secam a boca. Os consumidores pensavam que a acidez era um fator negativo, ela nem era descrita ao se fazer uma análise sensorial e todo vinho branco necessariamente passava por madeira e por conseguinte, fermentação malolática, seguindo a receita dos vinhos franceses.

Até pouco tempo, se você pedisse uma taça de vinho branco em um restaurante, provavelmente lhe serviriam um chardonnay, cor amarelo dourado, com notas de frutas tropicais maduras… aromas a maçã, pêra, manteiga, textura untuosa em boca, explícito passo por madeira… imaginou? Pois bem, esse estilo está dando espaço a vinhos mais jovens, ligeiros, fáceis de beber, com excelente estrutura de acidez – produtos mais sutis e delicados, eu diria.

Um bom exemplo deste novo perfil é o Hotel Sauvignon Blanc 2015, da Huentala Wines, que apresenta notas de pêssego e acácia, é delicado e vivo em boca e um agradável toque de mineralidade. Ótimo para abrir em um fim de tarde de primavera.

img_0779
O Malbec também é ótimo, direto, expressivo. E o preço, convidativo.

Um vinho mais complexo é o Gran Lurton da Bodega Piedra Negra, a primeira a explorar o Valle de Uco, lá nos anos 90, quando seus propietários franceses vieram apostar no terroir mendocino. Uma palavra: UAU! Trata-se de um vinho cor amarelo pálido, reflexos bem prateados, fluido, em um assemblage no qual o viognier aporta aromas de melão e damasco, o sauvignon blanc sua típica estrutura de acidez e notas herbais. Ficou meses em contato com as leveduras, técnica geralmente aplicada para espumantes, o que gera em boca uma agradável textura untuosa, com volume, mas sem abrir mão do frescor. Muito elegante, com personalidade, ótimo para acompanhar uma cena com frutos do mar ou comida asiática. Um dos melhores brancos argentinos que provei ultimamente, sem exageros.

img_0817
Gran Lurton 2015 – Bodegas Piedra Negra. Da mesma bodega, vale ficar de olho no Pinot Grigio, de valor mais acessível.

Para finalizar, um Sauvignon Blanc imperdível: Saltallary. Trata-se de um blend de dois terroirs cheios de expressão e identidade aqui na Argentina, além de serem a nova aposta da viticultura atual de alta gama: Molinos em Salta e Gualtallary em Mendoza, com o super enólogo Matias Michelini e a família Dávolos a cargo. Este corte me surpreendeu! Excelente acidez, bem estruturado, com as típicas notas que se esperam do varietal. São apenas 2400 garrafas, então se tiver a oportunidade de provar, não hesite!

fullsizerender-3
Um sauvignon blanc argentino imperdível

Não me esqueci de mencionar o famoso torrontés, que é a uva branca emblemática daqui e merece um post separado que virá em breve.