Dicas rápidas para maridar queijos e vinhos

Na 6a feira fui à uma degustação cujo foco era a harmonia desta dupla infalível.

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Eis as combinações que o sommelier Miguel da Vinosfera recomendou:

1- Sauvignon Blanc com queijo de cabra blando
O queijo de cabra blando tem acidez moderada, que combina perfeitamente com o frescor do Sauvignon Blanc, ambos se complementam e são perfeitos para o começo da refeição.

2- Chardonnay com queijos tipo gruyère
O Chardonnay é um vinho branco que costuma ser evolucionado em barrica, o que lhe confere untuosidade e aromas secundários de manteiga e tostado. O gruyere marida bem pois é mais forte e não tapa as fragrâncias mais complexas do vinho.

3- Cabernet Sauvignon com queijo de ovelha
O pecorino faz o casamento perfeito com os tânicos marcados e as notas de frutas vermelhas com pimenta negra do Cabernet.

4- Vinho tipo porto com queijo azul
O Malamado da família Zuccardi é um vinho doce muito famoso aqui na Argentina. Em sua versão tinta, tem dois anos em barrica e peso em boca ideal para acompanhar o queijo azul, que é difícil de maridar por seu sabor forte. Ideal para a sobremesa!

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Dica: monte o prato com uvas e frutos secos para neutralizar a boca entre um vinho e outro.

Para finalizar, duas recomendações básicas para montar uma tábua de queijos: não degustar mais de 5 estilos e calcular um promedio de 110g de queijo por comensal.
E para quem vier à Argentina, vale conferir a agenda de degustações da Vinosfera. O atendimento é maravilhoso, as catas têm preço justo e você ainda ganha um desconto para comprar vinhos da adega.

Por que o Malbec faz tanto sucesso?

A resposta é simples: ele não falha. É versátil para acompanhar diferentes refeições, é plástico quanto ao estilo, pois nos dá vinhos jovens e fáceis de beber, mas também etiquetas elaboradas e complexas, com ótimo potencial para madeira e guarda. Cai como uma luva para fazer blends pois aporta frescor e jovialidade, e seus tânicos são redondos, amáveis, não dão aquela sensação de aspereza nem de adstringência em boca típicas do Cabernet ou Carménere. Uma professora minha disse outro dia que o Malbec é como o Ricardo Darín: é carismático, vai bem em todos os papeis, não há quem não tenha o mínimo de empatia por ele. Pensando nisso, decidi descomplicá-lo:

  • Em vista, tem cor vermelha com reflexos violáceos  – o Malbec sempre chama atenção com sua cor vibrante e viva com tons púrpura.
  • Os descritores típicos em nariz são frutas de caroço maduras como ameixa, cereja negra, mirtilo e flores como a violeta.
  • Em boca, uma característica inconfundível é a sensação de dulçor; este não é um vinho amargo. Seus tânicos são redondos, possui estrutura média e textura suave.
  • Para a maridagem, uma dica fundamental: as combinações clássicas da região produtora do vinho nunca falham – Malbec é perfeito para churrascos, não há discussão.

Mas tem plasticidade e vai com qualquer comida, é só escolher o método de elaboração e os ingredientes de acordo com o estilo do vinho. Por exemplo, se você tem um Malbec de 2015, ele será jovem, frutado, corpo mais ligeiro, então vai bem com uma bruschetta napolitana ou pizzas tipo caprese. Caso abra uma garrafa de 2012, ou mesmo de 2014 com algo de madeira, você sentirá aromas de frutas mais maduras, capaz na forma de geleia, além de notas de chocolate, baunilha ou tabaco, e verá que o vinho tem mais corpo, densidade, complexidade aromática, tânicos marcados. Isso pede algo mais rico em estrutura e gordura, mas você não precisa abrir mão da pizza nem da bruschetta: é só pedir um sabor 4 queijos ou ao funghi.

Por quê essas “regras”? Porque os tânicos do vinho são mais intensos conforme o tempo de guarda e/ou barrica. Em boca e na medida certa, eles dão uma leve sensação de adstringência, “secam a saliva”, por isso é importante equilibrar comendo algo mais untuoso; e por isso também a carne de churrasco e o malbec são o casamento perfeito: ao dar uma garfada, você cria uma pelicula sedosa de gordura em sua boca; ao dar um gole, você a equilibra com a estrutura mais áspera dos tânicos, e assim ambos se compensam ao largo da refeição.

Para concluir, vale dizer que os “pais do Malbecs” são motivo de discussão até hoje, mas uma personalidade unânime é a de Domingo Catena, que desde a década de 1990 resolveu investir na produção de alta gama e a aceitação internacional foi surpreendente, pois contrastava com os vinhos de Bordeaux ao ser mais fresco, frutado, floral. Desde então, descobriu-se que era a casta perfeita para as zonas desérticas, de solo arenoso e de alta altitude da Argentina. Hoje a uva é plantada em toda a extensão do país e cada região nos brinda alguma característica diferente no produto final devido ao famoso terroir, que são os quatro fatores irrepetíveis (solo, clima, planta e fator humano) que fazem de cada vinho uma viagem única para algum cantinho do mundo.